Um internamento hospitalar é sempre um momento difícil. Acontece associado a doenças que requerem um acompanhamento mais próximo por parte dos profissionais de saúde, em condições técnicas e de recursos que não se conseguem garantir fora do ambiente hospitalar.
Muitos dos internamentos das áreas cirúrgicas são programados, para realização de uma intervenção necessária, mas para a qual o doente foi sendo preparado previamente em consulta. Nas áreas médicas e, especialmente na Medicina Interna, a grande maioria dos internamentos deve-se a situações agudas, inesperadas e muitas vezes graves ou muito graves.
A fragilidade e desconforto causados pela doença aguda, que se instala de forma inesperada, associada à necessidade de ser admitido num ambiente hospitalar desconhecido, para realização de tratamentos e exames (por vezes invasivos e não isentos de risco), é quase sempre um momento gerador de ansiedade e tristeza.
A grande maioria dos internamentos do foro médico surgem relacionados com doenças infeciosas agudas ou por descompensação de doenças crónicas (cardíacas, respiratórias, renais, diabetes, neurológicas…) – e se vivemos cada vez mais também convivemos com doenças crónicas e doentes cada vez mais complexos, cujo equilíbrio interno se perde, às vezes, à mais pequena agressão, conduzindo à necessidade de prestação de cuidados diferenciados e complexos em ambiente de internamento hospitalar.
Cabe ao médico internista diagnosticar e tratar ou compensar as doenças agudas e crónicas do doente adulto, que conduzem ao internamento – olhando para o doente na globalidade do seu ser físico, psíquico, social, profissional, familiar, ideológico – gerindo todo o circuito do doente, desde a sua admissão, maioritariamente através do serviço de urgência, até à alta hospitalar, regresso a casa e reavaliação após a alta hospitalar.
É desta complexidade de reflexões e ações, com recursos à técnica para diagnóstico ou terapêutica mais adequadas e em articulação com outras especialidades ou profissionais, que surge a importância da Medicina Interna num contexto hospitalar e na gestão do internamento.
Por outro lado, cabe a todos os profissionais que contactam com o doente ao longo de todo o seu percurso de internamento garantir a prestação de todos os cuidados necessários, de forma atempada, profissional, humana e dedicada e de acordo com os mais atualizados conhecimentos e práticas médicas, visando sempre o cumprimentos de três premissas essenciais à boa prestação de cuidados hospitalares em internamento:
- Adequação dos cuidados às necessidades de cada doente respeitando a singularidades, convicções e desejos expressos pelo mesmo;
- Diligenciar que todas as ações realizadas e o ambiente de internamento estejam o mais possível salvaguardados dos riscos inerentes ao ambiente hospitalar, minimizando complicações e intercorrências;
- Garantir um acolhimento, atenção e comunicação eficazes por forma a minimizar os impactos negativos da doença e do ambiente hospitalar para doente e as suas famílias.
Dr. Francisco Silva
Diretor Clínico do Hospital Cruz Vermelha
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