Surgiram recentemente nas redes sociais várias publicações sobre causas e tratamentos de um ataque cardíaco. Uma dessa publicações aconselhava a toma de duas aspirinas mal a pessoa tenha os primeiros sintomas. No entanto, é preciso perceber se há alguma base de sustentação científica relativamente à eficácia deste procedimento de emergência.
Segundo o Dr. Luís Baquero, coordenador do Departamento de Circulação e Cirurgia Cardiotorácica do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, este procedimento é um mito de que se fala muito. Não tem mal fazê-lo, de facto, mas não resolve nada. E os dois comprimidos de aspirina também não está provado que sejam mais eficazes do que um. Aliás, após o tratamento do enfarte, a dose que se faz é de 100 mg que equivale a 1/5 de um comprimido normal de aspirina.
Existem diversas causas para um enfarte, ou ataque cardíaco, sendo um deles a formação de uma placa de colesterol que se rompe e cria um trombo. Como se rompe a placa, o conteúdo da placa é gordura e entra em contacto com o sangue. O organismo defende-se para o tapar. E nessa manobra para tapar aquela fissura, cria um trombo e esse trombo é que impede que o sangue entre no coração, na coronária, no músculo. E há outros mecanismos que são as placas que vão fechando pouco a pouco e aí não há aspirina que chegue.
Todavia, se estiver num sítio remoto, sem acesso a um hospital, sim, pode tomar as duas aspirinas. Pode favorecer de alguma forma a diluição do trombo que se tenha formado e causado o enfarte. Se bem que não está escrito em lado nenhum das guidelines de tratamentos de enfarte que deva ser feito. Mas, como medida e em último caso, não há problema.
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